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26 de Dezembro, 2015 às 00:52 Por: Nogueira Sobrinho

A S APARÊNCIAS ENGANAM

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AS APARÊNCIAS ENGANAM

Laura era uma mulher fogosa. Jovem com apenas 32 anos muito bem vividos, como ela mesma dizia. Corpo malhado, pernas e coxas bem torneadas e bumbum do tipo que toda mulher sonha ter igual: volumoso, firme e redondinho. Era uma visão do paraíso segui-la com os olhos, enquanto ela sacudia e sacudia aquela montanha de músculo, dentro de uma sainha folgada, tipo esvoaçante. Parecia ter uma coleção dessas sainhas, de diferentes cores e modelo, todas, no entanto, com as mesmas características: curtas, folgadas e esvoaçantes. Aqueles mais assanhados não ficavam encabulados em segui-la, descaradamente, torcendo para que uma rajada de vento inesperada levantasse a saia dela, na próxima esquina.

Alguns sujeitos mais saidinhos juravam terem visto, por mais de uma vez, aquele par de pão de açúcar totalmente descoberto, separados ao meio pela fitinha da calcinha fio dental, sempre atolada na regada da moça.

Ela era do Rio de Janeiro, dizem que participara de muitos shows aqui e fora do Brasil, além de ser uma grande passista das escolas de carnaval carioca. Ela veio com o Everardo na última viagem que ele fez ao Rio. Aliás, viagem demorada, já estávamos pensando que não voltaria mais, que tinha acontecido alguma coisa séria com ele. Para os amigos, Everardo apresentava a moça como sua nova patroa e avisava que não estava de brincadeira não queria ninguém com enxerimento com ela. Everardo era tido como um homem violento e estava sempre disposto a agredir quem o desafiasse. Fazia o tipo homem latino: machão e grosso. Fazia questão de demonstrar que não aturava os rapazes de masculinidade duvidosa, como ele se referia aos homossexuais. Dizem que chegou a ameaçar cabeleireiros pelo simples fato da profissão ser suspeita, segundo ele É por isso que não havia um só registro de alguém que se fizesse de besta e tentasse chegar perto da moça, de querer falar com ela. Ninguém até então ouvira o som da voz dela. Quando ele a apresentava a alguém Laura apenas inclina a cabeça e se afasta logo.

Os dois moravam num apartamento que Everardo construiu em cima da sua loja de moda masculina, bem no centro da cidade. Dizem que era comum, principalmente à noite, ao passar pela calçada ouvirem-se vozes, gemidos, grunhidos, gritinhos e falas. Eu mesmo, uma noite que fui dar uma volta e só retornei para casa mais tarde, ouvi, sem que fosse de proposito, uns balbucios esquisitos. Uma fala no, entanto, me chamou atenção. Eu ouvi claramente: passa o creme que agora e vez de você meter.

Na última quarta feira, por volta de 20 minutos para meia noite, quando eu estava me preparando para dormir ouvi o barulho de tiros. Vinham do centro. Saiam do apartamento do Everardo. Foram cinco ou seis tiros, inicialmente, disparados numa série mais longa e finalmente um último tiro. Inicialmente, pensou-se que Everardo estava sendo assaltado e se defendia atirando nos bandidos. Mas ao chegar mais perto do apartamento, onde os curiosos já se aglomeravam, não se percebia qualquer sinal de arrombamento, nem na loja, nem no apartamento. A única coisa estranha que se notava era o fato das luzes do apartamento estarem todas acesas, quando o costume de Everardo era manter ligado apenas o letreiro com o nome da loja.

Depois de vários gritarmos chamando o Everardo, sem que o mesmo desse mostra de si, alguém foi à delegacia e voltou acompanha do soldado Garcia, que após examinar as condições do imóvel resolveu forçar a janela do apartamento. Aparentemente a janela estava só encostada tal foi a facilidade com que o soldado adentrou ao imóvel. Depois de alguns minutos o soldado abriu a porta que dava para a sacada e anunciou, para as pessoas que aguardavam com ansiedade noticias para o acontecido: ocorreu um crime terrível, os dois estão mortos. Encontrei um bilhete na mão do Everardo.


E leu o bilhete: amigos, Laura insiste em realizar uma operação para virar mulher. Como seria impossível continuar minha vida sem o brinquedinho dela, resolvi cometer esse ato. Adeus.

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