Peço desculpas desde já se vou parecer um tanto ríspido ou prepotente no início desse relato, mas não vejo motivos para iniciar um conto forçando a barra para aqueles que estão predispostos a lê-lo, querendo que acreditem que o que aconteceu foi real. Prefiro deixar a critério do leitor eleger a que mundo pertencerá as linhas descritas por mim. A sugestão é uma excelente ferramenta, exercita a mente e não nos deixa presos a um determinado fim, execrando qualquer alternativa, limitando possibilidades, mesmo que elas sejam construídas dentro das mais sórdidas fantasias, e nem por isso não poderão ser consideradas plausíveis e sustentáveis. Citando Mario Quintana: Pegue sua xícara e leia a vontade: um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ... e não a gente a ele.
Mais uma semana estressante que chega ao fim carregada de metas precisando ser alcançadas e superadas a qualquer preço. Minha cabeça está latejando como se um milhão de pregos estivessem sendo martelados incessantemente dentro dela. Saio da minha sala e desço o elevador cabisbaixo, pensativo, meio sonolento, mas o torpor que me envolve não é daqueles de quem está com vontade de se jogar em cima de uma cama e entregar a alma para Morfeu e só acordar daqui a cem anos, se parece mais com uma espécie de válvula informando que já é hora de desligar o interruptor do 220 e se libertar para o fim de semana que está apenas começando.
Atravesso o saguão do prédio e cumprimento rapidamente o segurança que está sentado atrás do balcão. Ele está na empresa há duas semanas, acredito. É jovem, parece bastante educado, pelo menos o que pude captar nos raros instantes em que parei para trocar meia palavra com ele. Quem sabe, com mais tempo, eu talvez consiga ter a certeza do quão grande é sua educação...
Caminho na direção do estacionamento e reflito por um instante: não quero ir pra casa. Não de imediato. Preciso beber alguma coisa, relaxar, esfriar a cabeça... Algum bar? Não. Não estou com paciência para interagir socialmente, ensaiar sorrisos, cumprimentar conhecidos... Endireito os ombros e decido: uma suana. O vapor certamente vai me fazer bem, e se estiver com disposição, ainda aproveito algum bônus que estiver por lá...
Caminho sem pressa até à estação do metrô... Preciso ligar para casa avisando que vou tomar uns drinques com o pessoal do trabalho. Laura, minha filha, atende ao telefone e eu a aviso. Pronto. Bem mais fácil dar esse tipo de notícia a ela do que à sua mãe. Sigo o meu caminho com a consciência tranquila. Tento imaginar o quão maravilhoso a sauna vai estar, rapazes jovens desfilando enrolados em suas toalhas azuis, alguns com um belo corpo, clamando para ser idolatrado. A juventude e sua necessidade de autoafirmação. Não vejo problemas com isso, com toda certeza. Endeuso um tórax bem definido sem pestanejar, aliás, com muita satisfação, chegando a me ajoelhar diante de seu dono para reverenciá-lo...
Paro diante a roleta do metrô. Sei que estou me enganando. Sei que não é a sauna o lugar onde quero estar, com todos aqueles corpos seminus se oferecendo para uns instantes de prazer e luxúria anônimos. Há algum tempo atrás, com certeza, era onde eu estaria satisfeito, sorridente, ávido para ir à caça ou ser caçado, quem sabe, mas hoje, agora, meus pensamentos insistem em uma só direção: Mateus, um rapaz de 23 anos que conheci num bar, há três semanas, e que não consegui mais tirar da minha cabeça, jogando por terra todas as minhas convicções de jamais transformar um mero encontro sexual em uma constante. Respiro fundo e dou dois passos para trás, me afastando da roleta do metrô e apanhando o celular do meu bolso, discando imediatamente para Mateus, mas torcendo para que ele não atenda...
__ Alô? __ sua voz invade os meus ouvidos e eu sinto um calafrio percorrer minha espinha __ Tudo bem Fernando?
Demoro um pouco a responder. Engulo seco __ Sim. Sim. E você?
__ Estou legal.
__ O que está fazendo? Está ocupado? __ me arrependo das perguntas que faço. Estou parecendo um adolescente, mas não consigo pensar direito, organizar friamente minha estratégia de ataque...
__ Que nada. Tô à toa. Zuando aqui, na internet....
Caralho! Ele está na internet. Com toda certeza caçando, e sem qualquer dificuldade para arranjar uma companhia. Quem não vai se deixar levar por um rapaz de 23 anos, com um sorriso cativante, alto, de ombros largos, cabelos louros e encaracolados, curtos, dono de um corpo bem torneado, uma silhueta musculosa, sem exageros ou excessos e com um par de coxas bem desenvolvidas? E se tiver então a chance de descobrir o quão bom de cama o moleque é... A imagem da nossa primeira vez me vem à mente sem demora. Mateus, em pé, ao lado da cama do motel em que o levei, me olhando como se eu fosse o último homem do mundo e baixando suas calças, me deixando completamente hipnotizado com o seu cacete cheio de veias, crescendo, enquanto me ordenava a chupá-lo, empurrando minha cabeça em direção a seu ventre; senti o cheiro do seu suor ao me ajoelhar para examinar mais de perto aquele brinquedo, imaginando que não conseguiria enfiá-lo todo na boca, chegando a protestar, porém Mateus não me dera ouvidos e forçou seu caralho de uma só vez até atingir minha garganta...
__ Bem __ tentei, reticente, de volta ao celular __ se não estiver muito ocupado, está a fim de dar uma saída? __ aqui estou eu, me desfazendo diante desse menino, mais uma vez, apesar de ter prometido que nunca mais o faria.
__ Já é __ ouvi sua animação do outro lado __ Onde a gente se encontra?
Por mais que eu tentasse, não ia conseguir resistir ao ver Mateus se aproximando. Ele está vestindo uma camisa branca com um capuz, entreaberta, deixando um pouco de seu peito a mostra, e uma bermuda vermelha, que lhe marca a bunda e ressalta as coxas bem desenvolvidas. Suspiro em profundo silêncio e dentro de mim me esparramo em sorrisos de gozo e felicidade. Meus olhos brilham e os dele, também, quando finalmente consigo encará-lo. Cumprimentamos-nos com um caloroso aperto de mãos e um sorriso gaiato no canto dos lábios. Não sei por que me sinto um pouco envergonhado. Pela primeira vez me preocupo com a diferença de idade que existe entre mim e a pessoa com quem estou trepando. Trinta anos me separam de Mateus, e confesso que por mais que eu me cuide, frequentando academias, me cuidando ao máximo, não tenho mais a estrutura física de um garoto como ele...
__ Então? __ ele pergunta, os olhos fixados em mim __ Vamos pra onde?
Mateus me encosta à parede do quarto do motel e me pressiona com força. Estamos completamente nus. Sinto suas mãos apalpando minha bunda, apertando-a. Ele beija minha nunca com volúpia, ansiedade, desespero até começar a se abaixar e alcançar o meu rego, pressionando-o com o seu rosto. Eu semicerro os olhos de prazer enquanto separo minhas nádegas com as mãos para que meu amante possa fazer um excelente trabalho, e o faz: sua língua lambe minha bunda de cima a baixo, brincando com o meu cu, deixando-o bem molhado. Eu não consigo evitar um gemido...
__ Está gostando? __ ele pergunta num tom de zombaria, eu noto. Não quero saber de nada e empurro sua cabeça de volta. A língua de Mateus ataca mais uma vez o meu buraquinho, indo cada vez mais fundo, relaxando meus músculos...
__ Você não existe, garoto...
Ele se levanta depois de me provar por um bom tempo e me atira sobre a cama, violento. Olho para ele e seu pau está em posição de sentido, apontando para mim como uma flecha certeira do alvo que quer e vai conseguir alcançar.
__ Arrebita essa cu pra mim, vai. Mostra esse segredinho pro seu garoto.
Não demoro a me posicionar de quatro, bunda pro alto, sem qualquer cerimônia. Ouço uma gargalhada de Mateus e sinto sua mão pesar, forte, em uma das minhas nádegas: __ Bunda gostosa essa sua meu coroa! Se prepara!
Mateus besunta o meu rabo com gel, o suficiente para que eu não sinta, tanto, o seu cacete me penetrando. Impossível, mas vale o sacrifício. Logo ele pressiona minha bunda contra o seu caralho, esfregando-o para frente e para trás, e eu, como um grande incentivador, a empino toda, oferecendo-a de bandeja. Não demoro a sentir a pika deslizando para dentro de mim, inteira, desaparecendo... Prendo, então, com os músculos do meu rabo, Mateus dentro de mim por algum tempo ate que ele decide sair, devagar, me provocando. Claro que eu peço novamente que ele volte, o que ele faz, imediatamente, gargalhando, me dando tapas, me xingando, me bombando para dentro e para fora, rápido, com força, chegando o mais fundo possível. Nossos quadris unidos num balanço lento, e eu me sentindo mais do que excitado.
Enquanto continuo sendo invadido sem pena, agarro o meu sexo também com força e começo a me masturbar. Mateus parece querer me erguer do chão com o seu pau ao me ver nesse movimento. Seu vai e vem se intensifica até que sinto o seu gozo se espalhando por sobre minhas costas, quente, e de certa maneira aconchegante, acompanhando de um gemido longo de prazer. Não me demoro também a esvaziar minhas bolas sobre o lençol da cama, satisfeito, inebriado. Um suspiro longo atravessa o meu peito e então caímos, eu e o meu garoto, cada um para um lado, respirando forte, fundo. Um silêncio percorre todo o quarto e Mateus se vira completamente para mim e me beija, se levantando logo depois, caminhando se demora na direção do banheiro. Deitado estou, deitado permaneço para recuperar as minhas forças. Gosto do jeito como sou fudido por esse garoto, da forma como sou tratado enquanto me transformo em sua puta.
Uma moleza começa a tomar conta de mim. Ouço ao longe o som da água do chuveiro caindo; faço força para levantar e vou até o frigobar e apanho uma cerveja e volto para cama, abrindo-a e começando a derramá-la pela garganta, me refrescando. Sentado à cabeceira, percebo o celular de Mateus vibrar. Ignoro, de início, mas a palavra “namorada” me chama a atenção e então decido olhar de perto a imagem da foto que surge depois de alguns segundos no visor e não acredito no que estou vendo: é a foto de Laura, minha filha!